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Empreendedorismo

Fornecedores mudam para reduzir dependência da Embraer
04/02/2010

Para não sucumbir à crise que ainda afeta a aviação, empresas brasileiras do setor aeronáutico estão buscando oportunidades em outros mercados, como Naval, Defesa, além de Petróleo e Gás. A palavra de ordem é reduzir a dependência da Embraer, que para muitas companhias constituía a única cliente. No final de 2009, a fabricante de aeronaves informou a seus fornecedores que comprará menos peças neste ano, numa tentativa de equilibrar os estoques neste cenário de vendas menores. A expectativa é de que as compras de peças programadas para 2010 cedam 23% ante 2009.

A Winnstal, criada em 1998 para atender exclusivamente à Embraer, nunca havia recorrido a outros mercados. Com a crise na aviação, rendeu-se à fabricação de peças para as indústrias de telefonia móvel, automobilística e de equipamentos agrícolas. 'Queremos baixar a 40% a representatividade da Embraer no nosso faturamento neste ano ou, no mais tardar, em 2011', diz o diretor-presidente da Winnstal, Ney Pasqualini Bevacqua, que também está buscando clientes nos segmentos de Petróleo e Gás, tratores e motocicletas.

A Friuli, que em 2008 tinha 90% de seu faturamento vinculado à Embraer, empreendeu esforços para conquistar clientes nas áreas de Defesa, Naval e Petróleo e Gás. Com isso, conseguiu reduzir para 56% sua dependência da fabricante de aeronaves. No ano passado, a empresa fechou contrato com a gigante do setor petrolífero Halliburton, que já produz 5% da receita da brasileira. Agora, quer trabalhar com a Petrobras. 'A ideia inicial era diversificar a atuação no setor aeronáutico e aeroespacial. Mas depois, com a crise chacoalhando estes mercados, resolvemos abrir o leque', afirma o presidente da Friuli, Gianni Cucchiaro.

A diversificação não acaba aí. O próximo passo da Friuli será fornecer peças e projetos de ferramentais para segmentos como o farmacêutico, médico, de empacotamento e até de fraldas e absorventes. 'Substituímos funcionários do setor aeronáutico por especialistas de outros ramos. Também estamos adaptando equipamentos e trocando outros. O governo tem de perceber que está havendo uma debandada das empresas da indústria aeronáutica', comenta o executivo, para quem o poder público deveria ajudar a cadeia a pagar suas dívidas com maquinário. 'Não dá para esperar que 2010 e 2011 sejam melhores para o setor, temo pelo desmantelamento da cadeia aeronáutica.'

O Programa APL Arranjo Produtivo Aeroespacial está promovendo uma série de iniciativas para mostrar às empresas que existem negócios a serem explorados em setores correlatos ao aeronáutico, inclusive em âmbito internacional. Mais do que diversificar a clientela desta cadeia, ao indicar oportunidades nas áreas de Defesa, Naval e Espacial o APL quer reter a mão-de-obra especializada. 'Não queremos perder competência para outros setores, pois daqui a 18 ou 24 meses deve haver uma retomada da aviação. Mas também não se pode colocar todas as fichas numa empresa só', observa o coordenador do programa, Marcelo Habitat. Para ele, o ideal é que o setor aeronáutico responda por 60% da produção e do faturamento destas empresas e, o restante, seja direcionado a outras áreas, como Petróleo e Gás, que também exige muita qualificação técnica.

A Petrobras está atenta ao surgimento desta leva de profissionais altamente qualificados. Recentemente, a petrolífera fez em São José dos Campos, polo da indústria aeronáutica nacional, um trabalho de apoio ao cadastramento das empresas da região, para que se habilitem como fornecedoras. 'A vantagem é que esta indústria trabalha com um nível tecnológico bastante alto, além de altos padrões de segurança e qualidade. Mas, em compensação, a mudança de foco requer certas adaptações', destaca o gerente de cadastro de Bens e Serviços de Materiais da Petrobras, Ernani Turazzi.

A empresa de engenharia sistêmica Solutions Design se cadastrou como fornecedora da Petrobras, o que lhe dá condições de oferecer serviços de engenharia e desenvolvimento de dispositivos para plataformas. Não é de hoje que o vice-presidente Comercial e de Desenvolvimento de Novos Negócios da Solutions, George Marcondes, busca diversificar o portfólio da empresa, que já trabalha com clientes do setor automotivo e companhias internacionais do ramo aeronáutico.

Essa estratégia tornou possível baixar de 100% para algo entre 65% e 70% a parcela da Embraer em seu faturamento. A meta para 2010 é fechar negócios com outros setores, como Petróleo e Gás, Defesa, Naval, Transportes Ferroviários e Petroquímico. 'Já fizemos o trabalho de aproximação com as empresas. Ainda que a Embraer ofereça grandes perspectivas de negócios, queremos que represente de 40% a 50% do nosso faturamento esse ano.'

Ao contrário de outras empresas, a Akaer, que presta serviços de engenharia estrutural, acha melhor manter-se na cadeia aeronáutica. Contudo, a empresa não está parada: busca alternativas no mercado internacional para pulverizar riscos. 'Queremos diversificar a carteira de clientes onde já atuamos: Aeronáutica, Espacial e Defesa. Essa mudança de área não é nada fácil, pois cada setor tem suas peculiaridades', opina o diretor-executivo da Akaer, Cesar Augusto da Silva.

O executivo acha que a consolidação será uma das maneiras de as empresas enfrentarem a crise no mercado global de aviação. Segundo Silva, a Akaer deve fechar em breve uma parceria com uma empresa estrangeira, com vistas a atuar com mais força no mercado internacional. Para o executivo, terá vantagem o grupo empresarial que conseguir oferecer, em um só lugar, vários elos da cadeia de valor - da concepção do avião, seu projeto de desenvolvimento, até fabricação, ferramental, transporte e suporte.


Fonte: Agência Estado - Michelly Chaves Teixeira


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