O Pesquisador David Gleicher criou uma Fórmula que resolve estas e outras questões. Ela descreve, de forma simples e elegante, como a Mudança ocorre nas Organizações.Podemos prever a Mudança? Podemos provocá-la ou controlá-la a nosso favor? Como o Líder deve se portar em relação à Mudança?
IC x V x PP > R = Mudança
Na Equação acima, o IC representa a Insatisfação Compartilhada pelas Pessoas que compõem a Organização, o V representa a Visão de um Futuro Melhor e o PP representam os Primeiros Passos para a modificação da situação atual. Quando IC, V e PP estão presentes e o seu produto é superior à R – que representa a Resistência das Pessoas da Organização à Mudança – a Mudança ocorre: simples assim. Vamos dar uma olhada rápida em cada um destes Fatores.
Quando eu falo de Insatisfação como pré-requisito à Mudança me vem sempre à lembrança de um Cliente meu que, em um momento de desabafo, me confessou que ele acreditava piamente que as dificuldades enfrentadas pela sua Empresa – que não eram poucas na ocasião – se devia, em sua opinião, unicamente ao fato de que os funcionários "simplesmente não se indignavam o suficiente". Quando eu perguntei o que ele queria dizer com isto, ele me explicou: quando a Empresa dele perdia um Cliente para a concorrência ou quando havia algum problema com a qualidade final do serviço prestado, os funcionários "se portavam como se fosse uma coisa natural perder Clientes para o concorrente ou oferecer um serviço de qualidade inferior ao que se teria condições de prestar". Eu tive de concordar com este argumento, porquê eu mesmo, como Consultor, jamais me contentava com algo menos que a Excelência. Um sentimento de Insatisfação, se bem conduzido por uma Liderança eficiente, pode ser a base para alavancar um processo Positivo de Mudança dentro da Organização. O Bom Líder sabe muito bem como, inclusive, provocar esta Insatisfação e dosá-la de forma a produzir o Crescimento do Negócio. Não há nada de extraordinário nisto: trata-se de uma lei natural. Não me recordo mais qual Filósofo grego disse que "Criação é Desarmonia" mas o fato é que este aparente Paradoxo se aplica perfeitamente aqui. Se reparamos bem, veremos que todo Progresso se dá por intermédio de "desequilíbrios controlados". Tomemos como exemplo o simples ato de andar. Se estamos parados e desejamos caminhar numa direção, o fazemos primeiro deslocando o nosso peso para a perna que se deseja mover – provocando, neste momento, um desequilíbrio momentâneo. Quando estamos seguros em nossa nova posição, deslocamos o peso para a outra perna, e assim sucessivamente, em uma série de desequilíbrios perfeitamente controlados que acabam por nos levar aonde queremos. Assim em tudo – e também na Liderança.
O segundo elemento de nossa Equação representa a Visão de um Futuro Melhor – e aqui também a Liderança desempenha um papel Fundamental, pois ela é a principal responsável por criar esta Visão junto aos colaboradores. Se o primeiro elemento da nossa Equação – que é a Insatisfação – não for devidamente canalizado para uma Visão de um Futuro, é muito provável que ela venha a se transformar em frustração ou mesmo franca revolta. O Líder deve ser hábil aqui em fornecer uma Visão de um Futuro que seja verdadeiramente empolgante para os seus liderados.
No entanto, para que se tenha Sucesso em gerenciar a Mudança de forma adequada, não bastam só a presença da Insatisfação Compartilhada pelos liderados e da Visão de Futuro: o Líder precisa operacionalizar a transição planejando quais os Primeiros Passos efetivos que possam ser dados no Aqui e Agora para concretizar a sua Visão.
Todos estes elementos necessitam estar presentes em nossa Equação para que a Mudança possa ocorrer – se, por exemplo, tivermos a Visão de um Futuro e soubermos quais Primeiros Passos dar na direção da nossa Visão, mas não houver um sentimento de Insatisfação frente a situação atual, a Resistência à Mudança não será superada e a Mudança terminará por não ocorrer. O Líder, portanto, deverá saber trabalhar estes três elementos de forma a gerar a Mudança que ele deseja ver acontecer.
Uma outra forma de facilitar a Mudança na direção desejada é diminuindo a Resistência à sua implementação. Da Fórmula acima fica claro que, quanto menor a Resistência, maior a possibilidade de Mudança, porquê menores terão de ser as quantidades de Insatisfação, Visão e Planejamento necessários para deflagrá-la. Como isto é feito? Como se neutraliza a Resistência à Mudança, algo considerado tão natural ao ser humano? Sinalizando aos funcionários, não só que a Mudança é necessária, mas que também ela é possível de ser feita e que – o mais importante – o seu Resultado final será Benéfico a todos os envolvidos – se não no curto prazo, pelo menos no médio e longo prazo.
Entre as Mudanças mais difíceis de serem gerenciadas estão, muito possivelmente, aquelas que implicam em cortes de custos e de demissão de pessoal. Muito recentemente, tivemos um exemplo de um processo de Mudança muito mal gerenciado no caso Varig. Destacando apenas um elemento de uma sucessão de equívocos, podemos mencionar o aviso de demissão enviado por telegrama, com grande repercussão negativa em toda a Imprensa. Em contrapartida, podemos mencionar como um exemplo de mudança bem gerenciada, o fechamento da fábrica da Kodak em São José dos Campos no ano de 2005. A Empresa não só comunicou a sua intenção de fechar a fábrica com antecedência como realizou um "Salão de Empregos", reunindo aproximadamente 30 companhias, entre as quais Embraer, Nestlé, Johnson & Johnson, Monsanto e Procter & Gamble. A iniciativa teve por objetivo colocar os 400 funcionários da área de manufatura que estão sendo demitidos em contato com possíveis empregadores facilitando, desta forma, a sua recolocação no mercado de trabalho. Temos aqui, portanto, duas atitudes bastante distintas frente à mesma e difícil questão da demissão de funcionários. O que faz duas Empresas adotarem condutas tão diferentes em relação a um mesmo e crucial problema? A resposta está na Fórmula de Gleicher. Pudemos observar que, em todos os Fatores que compõe a nossa Equação, a Liderança desempenha um papel fundamental: seja Motivando os liderados à Mudar, seja construindo a Visão de Futuro, seja Planejando o passo a passo da Mudança, seja superando as Resistências internas à Mudança. O Líder – ou o Gestor –, portanto, é o único Fator que se destaca sempre e em todos os momentos do processo de Mudança Organizacional.
Em tempos como os nossos onde as Mudanças acontecem na velocidade da luz, capacitar Líderes para saber lidar com as inevitáveis e onipresentes Mudanças é de importância vital para a própria sobrevivência da Organização.
Contatos através do e-mail: contato@tadeualvarenga.com
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